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Guia de Garanhões - 6º Capítulo

BRETÃO

TEXTO GENTILMENTE CEDIDO PELA A.B.C.C.B.

 O Cavalo Bretão no Brasil

Origem no Brasil e Presença no Mundo.
No Brasil, o Bretão existe desde a década de 30 e na França desde o século XIX.
É considerada raça de tração pesada ou de tiro.

   Pelo mundo, existem mais de 50 raças de tração pesada mundo. O que prevalece é a agricultura familiar, isto é, os próprios donos e familiares é que trabalham na terra e conduzem seus animais para a lavoura, e aproveitam destes para o lazer e o turismo, duas funções que se destacam, pelos grandes investimentos em lazer e turismo.
   Aqui no Brasil, temos controle, pelas respectivas associações, das seguintes raças: o Bretão (Breton), com 1.800 animais registrados desde 1989, 1200 animais em atividade e 70 nascimentos por ano e o Percheron, com 1200 animais registrados desde 1939, 600 animais em atividade e 25 nascimentos por ano.
   Sem controle de registros, temos duas raças: o Boulonnais, muito parecido com o Percheron, provenientes de uma importação de  22 animais da França e o Clydesdale, que possui somente 2 animais importados dos EUA. Ambas são controladas pela ABCCBretão, como também outras raças mais difundidas nos outros países e que poderão vir a serem importadas: Shire, Belgian, Comtois, Cob Normando, Ardennais e Friesian.
  
Na Europa, o Bretão é a raça mais difundida e de maior plantel.
  
A França já tem cerca de 200.000 animais registrados, com 2.500 nascimentos/ano, sendo que a França é 16 vezes menor que o Brasil.
  
Existem pequenos plantéis na Alemanha, Itália, Espanha e Bélgica, porém, nestes países, a criação é independente da França. Aqui na América do Sul, além do Brasil, temos cerca de 20 animais entre Chile e Equador, 7 animais no Uruguai, e alguns na Argentina.
   O Brasil ainda possui um plantel pequeno, mas já é o segundo maior do mundo e reconhecido pela França por sua qualidade e por preservar as características originais dos animais. Este ano a ABCCBretão está integrando seu Stud Book (serviço de controle genealógico e registros) com o da França, formando um plantel único, reconhecido em todo o mundo.
   Todas as raças de tração têm em comum: a força, o tamanho, a docilidade e a rusticidade alimentar e física.

   Características e Função
   As primeiras importações foram feitas pelo Exército Brasileiro e a escolha na França baseou-se nas seguintes atribuições:
   - Grande Vitalidade e Capacidade de Trabalho;
   - Melhor Força para o Tiro: por seu padrão ser de tórax amplo e próximo ao chão;
   - Boa Adaptação aos Diferentes Climas: principalmente aos mais quentes, comprovada pelos lotes que haviam sido exportados anteriormente  para África e Emirados Árabes.
   - Força: equivalente a 4 mulas de 250 Kg de P.V., isto é, ao invés de puxar 1 tonelada, ele, com 850 Kg de P.V. puxa 4 toneladas num veículo com rodas (recorde mundial). Portanto, sua força é capaz de tracionar 4 vezes o seu peso (animais bem treinados para a atividade).
   - Rusticidade Alimentar: o Bretão apresenta boa conversão alimentar, e se mantém muito bem em sistema extensivo.
   - Docilidade e Inteligência: São muito mais dóceis na atrelagem de carruagens do que qualquer outra raça mais fina.
   - Rusticidade Física: apresentando raramente alguma doença mais séria e se fica doente, resiste e se recupera bem.
  
O objetivo era trazer cavalos mais fortes e mais dóceis para tracionar, na época, os veículos existentes para transporte e entrega de mercadorias e as peças de artilharia do exército, porque não havia caminhões , nem automóveis em quantidade suficiente (eram importados e caros na época). E vieram para substituir as mulas e os cavalos mais finos , que freqüentemente apresentavam problemas, ou ainda, tinham que fazer várias viagens para levar uma carga que um Bretão levaria numa viagem só.
   Com a chegada dos automóveis, caminhões e tratores, os animais de tração foram colocados de lado por um bom tempo, voltando com força total quando descobriram outras funções: o  lazer e o turismo, que cresciam a cada dia no Brasil, e a economia agrícola na agricultura familiar, serviços que os Bretões fazem muito bem e com custos bem inferiores de manutenção em relação a um pequeno trator.
   O preço do cavalo Bretão às vezes chega a ser 5 vezes menor que o de um trator usado com a mesma capacidade de trabalho; a única diferença é no tempo que se leva para fazer o serviço.
  
Atualmente no Brasil, dependendo da região, eles são ainda muito utilizados no campo, nos trabalhos de aração e gradeação por pequenos agricultores e como ajudante parcial nos serviços diários nas grandes e médias propriedades, puxando carroças pesadas ou extraindo toras. Só não são mais utilizados porque nunca tiveram uma divulgação adequada de sua força e da sua rusticidade e também por não termos implementos agrícolas adequados à capacidade de trabalho do Bretão.
   Na atual conjuntura política e econômica acreditamos que daqui a 2-3 anos eles serão procurados para ajudar na diminuição dos custos na Agricultura Familiar, que está crescendo no país, e serão largamente utilizados na Agricultura Orgânica e nas Áreas de Preservação Ecológica,  setores que crescem a cada dia, e onde as máquinas e tratores não são permitidos.
   Mas, as principais funções, que estão fazendo com que a procura seja grande hoje são: o lazer, o turismo e a reprodução.
   Hoje já temos todos acessórios sendo fabricados e aperfeiçoados no Brasil: carroções, troles, arreamentos, bridões , freios e ferraduras, e também já temos profissionais se especializando nestas raças pesadas, tanto na parte zootécnica de criação e alimentação, como na medicina veterinária, que também eram obstáculos para se começar a criar estas raças. Além disso, criamos fortes intercâmbios com o país de origem, a França, que resultou, nos últimos 5 anos, na possibilidade de importarmos campeões nos grandes concursos, trazer novas técnicas, fazer novas pesquisas e melhorarmos qualitativamente nosso plantel.
   Constatamos também que as éguas bretãs davam muito mais leite que as outras raças (50-60% a mais), tinham o útero maior , possuíam excelente habilidade materna e que eram muito dóceis no manejo reprodutivo, o que fez com que tivéssemos mais duas funções : a de receptora de embriões, descoberta por criadores das raças Mangalarga e BH, que permitem a utilização de outras raças para serem receptoras e a de ama-de-leite, descoberta por criadores de PSI, que ainda não têm aprovado a inseminação e a transferência de embriões.
   Com os excelentes resultados que vinham obtendo, estes criadores fizeram propaganda da égua bretã, o que fez com que em 1998-1999, todas as fêmeas mestiças e puras bretãs que estavam em oferta no mercado fossem adquiridas para estas funções.
   Hoje estes criadores de PSI, BH e Mangalarga acabaram virando criadores de Bretão, pois perceberam que o mercado estava escasso e que seria mais fácil e econômico começar a criá-los. Alguns destes criadores não registravam os Bretões, porque não precisavam vender e não tinham interesse na comercialização por serem úteis para eles. Mas hoje, com o mercado valorizando os animais registrados, cujo pedigree comprova o grau de sangue, e com o aumento  da demanda, eles começaram a registrar e regularizar seus animais e até a participar de exposições para julgamento de conformação, com o objetivo de oferecerem animais de qualidade para o mercado, que ficou mais exigente e que está aberto para exportações para as Américas, devido à alta do dólar.
   Tivemos um aumento significativo no interesse pelos mestiços de Bretão, que já saem muito fortes, mais dóceis que a raça utilizada para cruzamento e já na primeira geração. O preço é inferior aos dos puros e são fáceis de se criar, pois podem utilizar qualquer raça para cruzar com um garanhão Bretão, com exceção das raças de piquiras e pôneis.

As éguas utilizadas agüentam bem o garanhão Bretão e não apresentam problemas no parto. Recomendamos somente que as éguas estejam bem nutridas e saudáveis.

   Na ABCCB já temos registrados mestiços com as seguintes raças: Mangalarga, PSI, QM, BH, Árabe, Anglo-Árabe, Campolina, Crioula, Lusitana e Appaloosa. Os produtos servem para sela, trabalho e lida por serem mais leves e mais ágeis, e quanto maior o grau de sangue, mais dóceis e mais fortes para tração agrícola, lazer de carruagem e desfiles de sela, e as fêmeas também já produzem mais leite.
   Normalmente puxam o temperamento do Bretão já na primeira geração. Apresentam melhora nos tendões, na ossatura, na rusticidade alimentar e física e na maioria dos casos resulta em animais muito bonitos e bem conformados.

Alimentação

   É aí que o Bretão surpreende novamente, por ter excelente conversão alimentar.
   A quantidade administrada para esses animais foge à regra para as raças mais leves, que normalmente é de 1 a 1,5% do Peso Vivo.
   A regra para o Bretão é de 0,5 a 0,7% do Peso Vivo, isto é, um animal de 800-900 Kg vai comer entre 4 e 6 Kg de ração de ótima qualidade e um fardo de 12 Kg de gramínea por dia, isso se não estiver em manutenção e não tiver pasto à vontade, pois normalmente em sistema extensivo é que eles mostram seu vigor e sua rusticidade, e na época das águas não precisa nem de ração para manter-se fisicamente bem.
   O limite máximo é utilizado para éguas no terço final de gestação e animais em trabalho intenso (mais de 3 horas por dia), e recomendamos dar a porcentagem ideal para potros, que estão em fase de crescimento até os 36 meses de idade e com uma quantidade de proteína e energia adequada para cada fase e cada utilização.
   Para vocês terem uma idéia um potro Bretão, bem criado, desmama aos 5-6 meses com 300-350 Kg de peso em média e altura de 1,28-1,35m.  

Docilidade

   A principal característica, a que desperta a paixão maior por estes animais, por esta raça, e que tem conquistado mais e mais apaixonados e criadores de outras raças a se interessarem em ter pelo menos um animal em seu “quintal”  é a DOCILIDADE.
   A DOCILIDADE que cura o stress , que traz o prazer, que acalma os ânimos, que espanta a tristeza. Acho que hoje é a principal qualidade desta raça, a mais procurada pelos novos interessados , e a que acaba encantando os mais duros e mais rígidos dos criadores e, que aliada às outras aptidões, acabou caindo no gosto do meio eqüestre, no gosto dos profissionais e das pessoas de qualquer idade e nacionalidade.
   Deus é sábio e a Natureza é mãe, pois quem conseguiria dominar ou criar estes animais tão fortes, se não fossem dóceis?

Informações

   A ABCCBretão está sempre à disposição de todos, principalmente esclarecendo dúvidas e indicando a melhor forma de criá-los, somos uma família, e todos se ajudam, principalmente àqueles que amam cavalos e os respeitam.

Texto e Fotos:
   Susana Reinhardt Cintra – Superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Raça Bretão, zootecnista formada pela USP, e que trabalha há mais de 12 anos com raças de tração pesada aqui no Brasil e na França. ABCCBretão – (19) 3807-7974/ 9715-4545 (Susana). E-mail: cavalobretao@uol.com.br.
   André Galvão Cintra – Presidente e Criador. Médico Veterinário especialista em Nutrição Eqüina. E-mail: nutricaoequina@uol.com.br

     Animal do tipo pesado, também chamado de sangue frio, o Bretão  vem sendo selecionado há séculos e sendo utilizado como cavalo de tração no trabalho com o arado em propriedades agrícolas, especialmente em países europeus.
     Entre as raças de tração o cavalo Bretão é considerado o mais versátil e útil, uma vez que possui grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Na França, de onde se originou, é considerado o cavalo do povo, sendo criado de forma simples e muito econômica. Mas, não só no trabalho da lavoura os franceses utilizam o Bretão, mas também para puxar carroças e carroções ou sendo utilizados como animais de sela, em apresentações de adestramento e equitação, promovendo um bonito espetáculo.
     Além de animal de trabalho e lazer, o Bretão  também é utilizado em cruzamentos como raça melhorada, garantindo mais robustez e rusticidade.
     O Bretão tem altura que varia entre 1m43 e 1m60, e sua constituição física se divide em tipos distintos: o Bretão de Tiro é robusto, possui cabeça atrativa, pescoço curto e encurvado, corpo largo e poderoso, patas curtas com pronunciadas articulações e muito pouco calçadas. Já o Bretão Trotador possui peso médio, é forte e sólido, bom trote, sendo usado como animal de tiro. O terceiro tipo  Bretão é chamado também de Corlay, com altura que varia entre 1m43 e 1m51, sendo utilizado tanto como cavalo de couche como de sela.
     O Bretão foi introduzido no Brasil pelo Exército, sendo utilizado na Agricultura. Mas, coube a Coudelaria de Colina, no interior de São Paulo, o trabalho de seleção a partir da década de 30, com o trabalho pioneiro do engenheiro agrônomo Manoel Xavier de Camargo. Este trabalho seletivo deu origem a uma linhagem própria, com animais que daí se expandiram para outros criatórios e regiões.
     Hoje, o Bretão já possui uma entidade nacional que regulamenta o registro dos animais, com sede em Curitiba, capital paranaense.
     A escolha dos reprodutores nesta edição de estréia da raça foi feita pelo stud book da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Bretão.
     A Associação dos Criadores de Cavalo Bretão está localizada na cidade de Amparo - SP, à Rua Oswaldo Cruz, 267 - Fone/fax (19) 3807.7974.


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