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ENCICLOPÉDIA DO CAVALO |
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ALIMENTAÇÃO CORRETA
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Quando se fala em alimentar cavalos, existe sempre uma questão que vem
à mente daqueles que desejam cuidar bem de seu animal, e também
as sugestões mais variadas – “Dê somente rolão e pasto”,
dizem alguns. “Não, o bom mesmo e dar farelo de soja”, dizem
outros. E surgem misturas mirabolantes das mais variadas matérias-primas.
Mas qual é a realmente melhor alimentação para o cavalo? A mesma
alimentação serve para todos os usos que se dá o animal?
Qual a
quantidade adequada para ser fornecida?
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Estas e outras questões que surgem na nossa cabeça são dúvidas nem
sempre são respondidas de forma
satisfatória , e é comum que se dê ao animal uma alimentação
errada, que pode deixá-lo com desempenho aquém do desejado ou, em
casos mais graves, causar até a morte dele.
Por isso é necessário que se tome muito
cuidado com a alimentação dos cavalos, observando-se sempre o uso
que se dá ao animal e o seu biótipo. De Acordo com o Dr.
Alexandre A. de Oliveira Gobesso, professor da faculdade de Medicina
Veterinária da Usp e especialista em nutrição e produção animal, o
cavalo é por natureza um herbívoro, alimentando-se de gramíneas e
leguminosas, pelo menos enquanto vivia em estado selvagem, sem a
interferência do homem. O cavalo só passaria a comer grãos a partir
do momento em que foi domesticado e teve então inicio o seu processo de
seleção pelo homem, que buscava os animais que mais se adequavam às
necessidades.
Portanto,
é fundamental que se dê sempre a forragem, o trato verde ao animal,
pois este é o alimento que a natureza preparou para seu consumo.
Outro
ponto que tem explicação na pré história do cavalo é o tamanho do
seu estômago, que é diminuto, ao contrário dos ruminantes, que
possuem um gigantesco. Esta característica tem origem no fato de que,
além da escassez de alimentos, o cavalo também era obrigado a fugir
dos predadores, deslocando-se constantemente, ora fugindo de seus
algozes, ora em busca de alimentos.
Outra característica importante é a extrema
eficiência do seu aparelho digestivo, a começar pelo aparelho
mastigatório que tem enorme capacidade
de triturar alimentos, transformando-os em partículas muito
pequenas para que possam sofrer ação das enzimas do trato digestivo,
com estômago tão pequeno, o cavalo era então obrigado a alimentar-se
várias vezes ao dia para poder manter-se. Os cavalos também
apresentam um grande instestino delgado, que é onde se dá a digestão
por enzimas e a absorção dos nutrientes, para que possa extrair destes
alimentos o máximo possível de nutrientes. Após o intestino delgado temos o ceco e o
intestino grosso, que também são grandes, onde existem bactérias que
ajudam o cavalo a digerir fibras, como a celulose, que são
transformadas em compostos importantes para o seu metabolismo, daí se
dizer que o animal não pode deixar de ingerir fibras.
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Para alimentar adequadamente o animal, é importante que se conheçam
estas características descritas acima, sabendo-se, pelo menos
grosseiramente, como funciona o seu aparelho digestivo e quais as
características. Com base nestas informações, podemos dizer que o
ideal é fornecer os alimentos ao animal em pequenas quantidades várias
vezes ao dia.
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Cada animal, uma necessidade
Numa propriedade, normalmente temos garanhões,
potros, éguas em gestação e éguas com potro ao pé, ou seja, em
lactação. Cada um deles possui uma necessidade específica em termos
de alimentação.
No caso dos garanhões, que são
cavalos cuja finalidade principal é a
reprodução do plantel, uma boa dieta deve fornecer proteínas,
não necessariamente em grande quantidade, uma pequena quantidade de
energia e um volumoso de boa qualidade. É interessante atentar-se para
as rações prontas, os concentrados, para não oferecer elementos em
excesso.
Para os potros é importante fornecer uma
dieta onde o concentrado tenha ênfase na parte protéica, pois, como o
animal se encontra em fase de crescimento, seu consumo de proteínas é
alto, sendo importante então que recebam uma ração específica para
potros. A hora certa para começar a fornecer a ração aos potros é
ainda durante o período da amamentação, podendo-se para isso utilizar
um “Clipper”, que nada mais é que um cercado onde só entra o
potro, evitando-se assim que animais adultos consumam esta ração. Esta
primeira ração é específica para os animais nestas condições e
costuma inclusive ter em sua composição leite em pó. Estudos mostram que os
animais que receberam arraçoamento
com concentrado a partir do segundo mês de vida, apresentaram melhor
desenvolvimento que outros que a receberam mais tardiamente. Neste caso,
vale lembrar que não há recuperação de perdas, ou seja, um animal
que tenha deixado de se alimentar adequadamente em algum período de seu
desenvolvimento, jamais recuperará este prejuízo.
Após o desmame, os potros vão então para um
regime de pasto, onde devem ter à sua disposição pastagem de boa
qualidade e receber uma suplementação no cocho, via ração
concentrada, sempre com alto valor protéico, pois a maioria das gramíneas
tropicais não o possui.
No caso de éguas vazias, ou seja, sem prenhez,
potros ao pé, apenas a pastagem de boa qualidade é suficiente para que
possam se manter
satisfatoriamente, não se dispensando, porém o sal mineral. Nos dois
primeiros terços da gestação, também não há necessidade de alterar
alimentação do animal, quadro que muda no terço final. Daí a importância
de monitorar os cios e prenhez das éguas. Neste período final de gestação,
a exigência de proteína, carboidratos solúveis e minerais chega a
aumentar em 30%, sendo necessário que se modifique, então, a alimentação
do animal.
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Após o parto, é aconselhável manter-se esta
alimentação até o quarto mês de lactação, cujo pico acontece
aproximadamente aos 60 dias após o parto, que é o período de maior
produção de leite, quando o animal é mais exigido.
Resumindo, você deve ter na propriedade um
pasto de boa qualidade, com um suplemento de forragem para o inverno,
que pode ser feno, ou mesmo silagem de milho, mais as rações específicas
para cada caso acima descrito.
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O
cavalo de Esporte
Um cavalo de esporte é uma animal do qual o cavaleiro exige uma performance. Hoje em dia é muito difundida a prática de esportes eqüestres,
como o enduro e hipismo. Para cada um destes esportes há uma exigência
para que o animal possa ter bom desempenho, pois são esportes
diferentes. O esforço do cavalo pode ser longa duração (caso do
enduro) ou de curta duração (provas de salto). Por isso você deve
estar atento para fornecer ao seu animal a dieta certa para um bom
desempenho.
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O
cavalo de enduro
O enduro, como todos sabem, é um esporte de longa duração. O animal
percorre vários quilômetros, as contrações musculares são lentas,
é um exercício aeróbico com alto consumo de oxigênio.
Desta forma devemos fornecer ao animal uma
dieta que propicie condições as
mais favoráveis possíveis para a realização da prova. E qual seria
esta alimentação? O que pode mudar para otimizar o desempenho do
animal? Segundo o Dr. Gobesso, uma boa dieta para o cavalo de enduro
deve ser composta de volumoso e alta qualidade, sempre em grande
quantidade, pequena quantidade de concentrado e uma dose de gordura, que
pode ser fornecida através do óleo de cozinha comum, de soja ou de
milho. É importante notar que a sua exigência em proteína é pequena,
por isso uma ração com baixo teor de proteína, ao redor de 8%, é
suficiente. Estas rações normalmente são mais baratas, já que a
proteína é a parte mais cara do concentrado. É muito importante que
se forneça a gordura para o animal, pois esta é a fonte de energia.
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O
cavalo de salto
Diferentemente do cavalo de enduro, o cavalo de salto é um animal que
realiza atividade de curta duração, com movimentos rápidos, sendo
assim um exercício anaeróbico, porque o animal, neste caso, não
consegue absorver oxigênio na quantidade que seria ideal para suprir as
suas necessidades.
Por isso o ideal é fornecer lhe uma fonte de
carboidrato solúvel, ou seja, o amido, que é uma boa quantidade de
fibras, para evitar problemas digestivos, como cólicas.
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O
cavalo de corrida
Os
cavalos de corrida como o PSI e o Quarto-de-Milha são animais que
realizam exercícios que são em parte aeróbicos e em parte anaeróbicos,
por isso sua alimentação deve conter fibras, gordura e amido.
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O
cavalo de passeio
Estes animais só são usados
em passeio, como romarias e desfiles, e não são trabalhados
diariamente, por isso é importante que se observe aqui também
uma alimentação adequada, a fim de se evitarem problemas como cólicas
e outros mais. Estes animais devem consumir uma dieta composta de
fibras, como um volumoso de boa qualidade, pouco concentrado, de preferência
uma formulação com pouco amido e óleo (100 ml por dia são
suficientes).
Um problema comum com este tipo de animal é o
fornecimento de ração rica em amido. Os animais que consomem esta ração
podem apresentar-se irritadiços, pois o excesso de amido. Os animais
que consomem esta ração podem apresentar-se irritadiços, pois o
excesso de amido causa neles um acúmulo de energia deixando-os
inquietos e agressivos. Muitos proprietários têm hábito de adicionar
o rolão à ração a raça pronta, fornecendo assim excesso de amido ao
animal. Por vezes, estes animais ficam tão excitados que entram em um
quadro de anaerobiose, produzindo então muito ácido lático, o que
provoca dores musculares, diminuição no pH do Organismo e até o
aguamento do cavalo.
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O
cavalo de lida
O cavalo de lida; é aquele
usado na propriedade para serviços diários. Pode ser mantido de
maneira satisfatória apenas com pasto de boa qualidade, pouco
concentrado, aproximadamente 2kg por dia, sem muito amido e com teor de
proteína bruta ao redor de 8%.
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